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Metas de Ano Novo funcionam? Sim, mais do que dizem por aí

Um recomeço de ano marcado num calendário de dias

As resoluções de Ano Novo funcionam melhor do que a fama delas sugere. Num estudo que acompanhou pessoas por seis meses, 46% de quem fez uma resolução seguiu firme o tempo todo, contra 4% de quem queria mudar as mesmas coisas sem resolução. A famosa ideia de que só 8% conseguem não vem de nenhum estudo identificável.

Metas de Ano Novo funcionam mesmo?

Sim, e a melhor comparação que existe é mais animadora do que a fama. Norcross e colegas acompanharam, por seis meses, 159 pessoas que fizeram resoluções de Ano Novo e 123 pessoas que queriam mudar um problema, mas não fizeram resolução.

Depois de seis meses, 46% de quem fez a resolução seguia firme o tempo todo. Entre quem não fez, e queria as mesmas mudanças, eram 4%.

Os dois grupos não eram diferentes em perfil, em histórico do problema, nem nas metas em si, que eram quase sempre perder peso, fazer exercício e parar de fumar. A diferença era a resolução.

De onde vem o número de 8%

De nenhum lugar identificável, e vale saber disso antes de repetir.

A ideia de que só 8% das resoluções dão certo circula sem parar, quase sempre atribuída a um estudo de universidade sem nenhuma referência. Ela não bate com os estudos revisados por pares sobre o tema, que mostram um sucesso contínuo bem maior em seis meses e cerca de 19% ainda firmes depois de dois anos.

O mesmo vale para o “Quitters' Day”, o dia de meados de janeiro em que as resoluções supostamente desmoronam. Essa data vem dos dados de uso de uma empresa de fitness, publicados como marketing. Talvez descreva quem usa o app dela. Não é pesquisa.

Nada disso quer dizer que resoluções são fáceis. A maioria falha em algum momento. Quer dizer que o número usado para provar isso é inventado.

Por que janeiro ajuda de verdade

Porque uma data com cara de recomeço muda mesmo o comportamento, e essa parte foi medida.

Pesquisadores viram que as buscas no Google por dieta, as idas à academia e os compromissos com metas sobem depois de marcos no tempo: o começo de uma semana, de um mês, de um ano, de um semestre, um aniversário, um feriado.

A explicação proposta é que esses marcos dividem o tempo em capítulos. Eles deixam as falhas do passado no capítulo anterior e fazem você olhar a vida de longe, o que torna mais fácil começar uma grande mudança.

É uma vantagem real, e de graça. O problema é que ela só serve para começar. Um marco ajuda você a dar a largada e não faz nada por você na terceira semana de fevereiro.

Como criar uma meta que sobreviva a fevereiro

Use o recomeço para começar e depois conte com estrutura, não com a empolgação.

  1. Deixe a meta contável e com data

    Ler 24 livros até 31 de dezembro é melhor que ler mais. Se não dá para anotar, não dá para saber se está funcionando. Veja metas SMART.

  2. Escolha uma só

    Quem teve sucesso na pesquisa não estava tentando cinco coisas. Cinco metas acompanhadas viram zero metas acompanhadas até fevereiro.

  3. Decida quando e onde a ação diária acontece

    Decidir o gatilho exato com antecedência teve efeito de médio a grande em 94 testes. Planos se-então cabem em uma frase.

  4. Acompanhe num lugar que você vai ver

    Acompanhar o progresso aumenta as chances de chegar à meta, ainda mais quando ele fica registrado de verdade. Um registro que você precisa lembrar de abrir não faz esse papel.

  5. Planeje a falha antes que ela aconteça

    Você vai perder dias. Decidir antes que um dia perdido vale zero, e não um recomeço, é a diferença entre uma queda e um abandono.

Você não precisa esperar janeiro

O efeito do recomeço funciona com qualquer marco, e existem dezenas por ano.

O começo do mês, o começo da semana, um aniversário, o primeiro dia depois das férias, a volta às aulas. Todos mostraram o mesmo empurrão na pesquisa. A segunda-feira é um recomeço que chega 52 vezes por ano.

Isso importa porque a desculpa mais comum para não começar é que a hora é ruim. No Brasil ainda tem a clássica: “o ano só começa depois do Carnaval”. Sempre existe um marco nos próximos sete dias. Um desafio de 30 dias que começa na próxima segunda funciona tão bem quanto um que começa em 1º de janeiro.

Perguntas frequentes

Qual a porcentagem de resoluções de Ano Novo que falham?
Depende do período que você olha. No estudo mais conhecido, 46% de quem fez uma resolução seguia firme depois de seis meses, contra 4% de quem queria as mesmas mudanças sem resolução. O sucesso a longo prazo é bem menor, mas o famoso número de 8% não tem nenhuma fonte identificável.
É verdade que a maioria desiste em meados de janeiro?
Essa ideia vem de uma análise de marketing de uma empresa de fitness sobre quem usa o app dela, não de pesquisa. Pode descrever o uso desse app. Não é um resultado geral.
Fazer uma resolução funciona melhor do que só decidir mudar?
No estudo de Norcross, bem melhor. Quem fez resolução teve 46% de sucesso, contra 4% de quem tinha as mesmas metas sem resolução, mesmo sem diferença de perfil ou de histórico do problema.
Qual é a melhor hora para começar uma meta?
Qualquer marco no tempo. A pesquisa achou o mesmo empurrão depois do começo de uma semana, de um mês, de um ano ou de um semestre, e depois de aniversários e feriados. A próxima segunda serve. Não precisa esperar janeiro.

Fontes

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