Por que desistimos das metas, e o que realmente impede isso
A maioria das metas não é abandonada na parte difícil. Ela é abandonada depois de um dia perdido, porque uma regra de tudo ou nada transforma uma falha comum em prova de fracasso. A pesquisa sobre hábitos é direta: perder uma única oportunidade não afetou de forma relevante a formação do hábito.
Os cinco motivos reais para desistir
Quase toda meta abandonada cabe em um destes, e nenhum deles é falta de força de vontade.
- Um dia perdido tratado como fracasso. É o mais comum e o mais fácil de corrigir.
- A meta nunca foi contável, então não havia como ficar para trás nem como terminar.
- Metas demais ao mesmo tempo. A atenção é o limite, e cinco metas acompanhadas quase sempre viram zero.
- O progresso era invisível, então semanas de esforço real pareciam nada.
- A versão diária foi pensada para um dia bom, então a primeira semana ruim acabou com ela.
A armadilha do tudo ou nada
A crença de que uma sequência quebrada obriga a começar do zero é a regra mais destrutiva na hora de definir metas, e as evidências não a apoiam.
A equipe de Lally acompanhou 96 pessoas criando hábitos diários e viu que perder uma única oportunidade de fazer a ação não afetou de forma relevante a formação do hábito.
Equipes médicas que analisam programas rígidos de tudo ou nada dizem o mesmo por outro caminho: o que cria resiliência é a capacidade de voltar, não a recusa de escorregar.
A solução prática é manter um total ao lado de qualquer sequência. Assim, uma falha custa um número, e não os dois. O método da corrente explica essa troca em detalhes.
Por que o progresso invisível mata metas
Porque um esforço que não muda nada visível parece esforço jogado fora, mesmo quando não é.
Uma revisão de 138 estudos com 19.951 pessoas mostrou que incentivar as pessoas a acompanhar o progresso aumentou a chance de alcançar as metas. O efeito foi maior quando o progresso era registrado de forma física, e não só lembrado.
Há um segundo efeito. As pessoas se esforçam mais quando o alvo fica perto, algo medido direto em um cartão fidelidade de cafeteria. Se você não vê que está perto, nunca ganha esse último empurrão. Deixar o progresso visível resolve os dois.
O que realmente evita a desistência
Quatro coisas, mais ou menos na ordem do quanto fazem diferença.
Decida antes o que vale uma falha
Escreva antes do primeiro dia: uma falha vale zero, e o total continua. Só essa decisão evita a maioria das desistências.
Deixe a versão diária pequena demais
Faça caber no seu pior dia. Nos dias bons você vai fazer mais sem ninguém pedir.
Defina o gatilho
Decidir exatamente quando e onde agir teve um efeito médio a grande no cumprimento em 94 estudos. Veja os planos se-então.
Fique com uma meta, não cinco
Só acrescente a segunda quando a primeira estiver no automático. É o conselho menos popular daqui e o mais confiável.
Perguntas frequentes
- Por que a maioria das pessoas desiste das metas?
- Em geral depois de um dia perdido, e não na parte difícil. Uma regra de tudo ou nada transforma uma falha comum em prova de fracasso, mesmo que a pesquisa sobre hábitos tenha mostrado que perder uma única oportunidade não afetou o processo de forma relevante.
- Desistir é um problema de força de vontade?
- Raramente. As causas comuns são de estrutura: uma meta que não dá para contar, progresso invisível, metas demais ao mesmo tempo ou uma versão diária pensada para um dia bom. As quatro se corrigem mudando o plano, não se esforçando mais.
- Quantas metas devo acompanhar ao mesmo tempo?
- Uma, até ela virar automática. A atenção é o limite real, e quem acompanha cinco metas quase sempre termina o mês sem acompanhar nenhuma.
- Qual é a melhor coisa que posso fazer para não desistir?
- Decidir antes de começar que um dia perdido vale zero, e não um recomeço, e deixar isso por escrito. Essa regra evita a forma mais comum de desistência.
Fontes
- Lally et al. (2010), How are habits formed: modelling habit formation in the real world. European Journal of Social Psychology 40(6), 998-1009
- Harkin et al. (2016), Does monitoring goal progress promote goal attainment? Psychological Bulletin 142(2), 198-229
- Cleveland Clinic, The 75 Hard Challenge and its rules